Sobre
Partituras Prémio Jovens Músicos 2023
“Modos Mitológicos” trata-se de uma obra que se desdobra num ambiente etéreo, convida-se o espectador a mergulhar num espaço contemplativo, onde a atmosfera mística se entrelaça com a música. As complexidades rítmicas, longe de se erguerem como fins em si mesmas, assumem a nobre missão de serem os trilhos por onde o ouvinte pode caminhar em busca de uma liberdade sublime. Essa liberdade, longe de ser um desvario errante, encontra a sua razão de ser na busca ardente pela expressividade.
Liberdade e expressividade, entrelaçadas como os fios de um bordado delicado, não se antagonizam, antes se harmonizam. Na verdade, muitas vezes, é a precisão hipnótica dos ritmos que se tecem no acompanhamento que forja a base essencial para a manifestação plena da expressão. Como estrelas cadentes no firmamento nocturno, as duas mãos, cada uma com o seu papel, dançam num dueto de autonomia, desdobrando-se em ritmos que pulsam, em melodias que suspiram, em dinâmicas que se erguem e se retraem como as marés obedientes à lua.
Neste universo musical, o intérprete torna-se um alquimista, transmutando as notas e os ritmos em emoções vivas, como se cada acorde fosse uma paleta de cores e cada pausa, um sussurro do infinito. A música não é apenas ouvida, é sentida, é vivida, torna-se numa viagem por terras desconhecidas, onde cada curva do caminho revela segredos, cada nota é um suspiro da alma, cada ritmo é o pulsar do coração.
A harpa, instrumento celestial e divino, desenha no seio desta obra um ambiente etéreo e mitológico. As suas cordas, delicadas e douradas como os cabelos de uma ninfa, entrelaçam-se em melodias celestiais que evocam as próprias musas do Olimpo. Com um toque magistral, a harpa tece um véu de sonhos e encantamentos, como se fosse a própria lira de Orfeu, capaz de subjugar até mesmo os deuses do Olimpo. É como se a própria Euterpe, a musa da música, soprasse suavemente sobre as cordas, fazendo brotar uma sinfonia que nos transporta para um mundo onde o tempo se detém e as paixões florescem como flores raras num jardim perdido.
Assim, esta peça convida o intérprete e o ouvinte a embarcarem numa jornada mágica, onde a liberdade e a expressividade se entrelaçam, onde a música se torna mais do que simples sons, torna-se uma poesia sonora que toca o âmago da alma e nos transporta para lugares onde a imaginação não conhece limites."
António Capela
